A dor da ruptura

“Mesmo nos casos em que se sente uma grande libertação por sair de uma situação insatisfatória, se houve uma genuína conexão, cedo ou tarde a face da dor vai aparecer, por deixar o conhecido, aquilo que se amou, e a incerteza e o medo de enfrentar algo novo; ainda mais quando o casal tem filhos e seu status quo cotidiano cai por terra. A vivência da dor é um ingrediente necessário para completar o processo com sucesso e ser capaz de recriar um futuro” (Trecho extraído do livro: “O amor que faz bem – Quando um e um somam mais que dois”, Joan Garriga, 2014)

Culpa e inocência

“No relacionamento afetivo não há culpados nem inocentes, e sim danças compartilhadas, engrenagens sistêmicas que nos levam a assumir certas posições ou condutas. Não há justos e injustos, só lealdades para com nossos ancestrais que nos induzem a repetir padrões. Muitas pessoas sofrem no relacionamento afetivo pelo fato de assumir a culpa e os erros, livrando a cara do companheiro, que respira aliviado com sua inocência e não tem que enfrentar a si mesmo. E, ao contrário, há pessoas que culpam desesperadamente o outro para salvar sua dignidade e se estendem em sua raiva fazendo todos os males recaírem sobre o companheiro. Nada disso serve, nem entoar o mea culpa nem o sua culpa. Nem culpar, nem se culpar. O que ajuda é entender nossa coparticipação nos resultados e nos responsabilizarmos por eles, e, se possível, nos flexibilizarmos e desenvolvermos opções novas que possam mudar o status quo do relacionamento”

(Trecho extraído do livro: “O amor que nos faz bem – Quando um e um somam mais que dois”, Joan Garriga, 2014)

 

A boa ruptura

“Acho que é uma regra útil na vida prestar atenção para que as coisas não apodreçam dentro de nós e não vivamos cercados de assuntos pendentes e irritações que consomem nossa atenção e energia. Como recomenda a terapia Gestalt, é melhor expressar o não expresso, dizer o não dito, viver o não vivido, processar o não processado, fechar o não fechado, e que nossas veias relacionais estejam bem ventiladas. Desse modo a energia fica livre do passado e se orienta para o futuro, e o presente estrito se torna assombrosamente mais presente”

(Trecho extraído do livro: “O amor que nos faz bem – Quando um e um somam mais que dois”, Joan Garriga, 2014)

Quando o amor não é suficiente

“Conta uma fábula sufi que um jovem chamado Nasrudin chegou a aldeia depois de muitas horas de travessia por caminhos empoeirados. Estava com calor e sedento. Encontrou o mercado e ali viu umas frutas vermelhas desconhecidas, mas aparentemente deliciosas e suculentas. Ficou com água na boca. Foi tanto seu júbilo que comprou cinco quilos. Procurou a sombra de uma boa árvore em uma rua tranquila e começou a comer as frutas. À medida que comia, sentia um calor mais e mais intenso no rosto e no resto do corpo. Começou a suar copiosamente, e seu rosto e sua pele ficaram de um vermelho vivo. Mas ele continuou comendo. Uma pessoa passou a seu lado e, surpresa, perguntou: -Por que está comendo tanta pimenta com este calor tão terrível? E Nasrudin respondeu: – Não estou comendo pimenta, estou comendo meu investimento.

Com freqüência as pessoas comem seu ‘investimento’ no relacionamento, mesmo que caia mal, mesmo que a relação seja equivocada ou desvitalizante. Entretanto, o mais prudente e positivo pode ser abandonar o empenho, saber soltar-se, depor as armas, reconhecer os sinais de tensão no corpo quando o que vivemos não nos causa mais satisfação nem nutre o(a) parceiro(a).

(Texto extraído do livro: “O amor que nos faz bem – Quando um e um somam mais que dois”, Joan Garriga, 2014)