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A energia da dor

Existe a energia da dor, mas também existe a energia da atenção plena envolvendo a dor. Aqueles que não praticam permitem que a dor os oprima ou tentam fugir dela, ingerindo algo que encubra o sentimento doloroso interno. Pode-se comer algo, ouvir música; fazer qualquer coisa para não enfrentar o sofrimento interior. O mercado nos fornece tudo o que podemos usar para encobrir o sofrimento interno. Ao consumirmos desse modo nós permitimos que o sofrimento interno cresça. Temos que nos relacionar com a nossa dor para termos a oportunidade de curá-la. […] Nós não estamos mais fugindo deles (sentimentos dolorosos) ou os encobrindo. Reconhecer e acolher o sentimento doloroso finda a alienação entre corpo e mente.

Texto extraído do livro: “Paz mental” de Thich Nhat Hanh

Perdas

“Quando as perdas e o infortúnio ou as contrariedades nos visitam, devemos trabalhar para converter eles em nutrientes para a nossa vida, mas, sobre tudo, devemos nos perguntar se alguma parte mais ou menos inconsciente em nosso interior os deseja, examinar se não estávamos esperando por eles de alguma forma, se não existe em nosso interior alguma subpersonalidade tirânica e arrogante que pretende reestabelecer delicados equilíbrios e afetos familiares e  nos obriga a sentar no banco dos acusados e nos impõe um castigo.

Resumindo: que nossas lealdades sejam expressadas através do ‘mais’ e não no ‘menos’, na alegria e não nas lágrimas, na expansão e não na retração. Que consigamos ser ativos no impulso da vida e não no da não vida, que Eros triunfe sobre Tánatos, a pesar de tudo.”

Trecho extraído do livro “La llave de la buena vida” (Joan Garriga) ainda não publicado no Brasil, tradução livre, M. Natalia M. H. Kopacheski.

Felicidade

“A prática de harmonizar corpo e mente proporciona mais paz, clareza, compaixão e coragem em nossas vidas cotidianas. Com estas quatro qualidades, podemos ter felicidade suficiente para ser capaz de ajudar os outros.

As pessoas têm a tendência de pensar em felicidade em termos de se ter muita fama, poder, riqueza e prazeres sensuais. Mas sabemos que almejar esses objetos pode trazer muito sofrimento. Então, precisamos compreender a felicidade de uma forma muito diferente desta. Se cultivarmos a paz em nós mesmos, a clareza, a compaixão e a coragem virão.

Se você não tiver compaixão, não poderá ser uma pessoa feliz. Uma pessoa sem compaixão é alguém que está completamente só, sem conseguir entrar realmente em contato com outro ser vivo. Com suficiente compaixão você tem a coragem de se libertar, e de ajudar outras pessoas a se libertarem. Esta é a verdadeira felicidade, o tipo de felicidade que cada um de nós precisa.”

Trecho extraído do livro “Paz Mental” de Thich Nhat Hanh (Editora Vozes)